Kijin Gentoushou - Review da temporada

UM BOM ANIME, MAS NÃO PARA TODOS.


Em uma temporada bem morna com poucos animes chamando a atenção essa obra ainda conseguiu passar desapercebida, o que me chamou a atenção, logo de cara, foi o fato de sua estreia se dar com um episódio duplo, o que já implicou que muita coisa deveria acontecer.


Logo de cara somos apresentados ao protagonista Jinta, que foge de casa acompanhado de sua irmã Suzune, que é maltratada pelo pai que a culpa pela morte de sua esposa. Suzune possui uma faixa que cobre seu olho direito, escondendo sua aparência demoníaca, felizmente os dois pouco tempo depois são encontrados por um simpático e amável samurai, chamado Motoharu, que os leva a vila Kadono e acaba os adotando, Motoharu ainda possui uma filha, chamada Shirayuki, que acaba se afeiçoando bem rápido aos irmãos.


Com essa premissa logo temos um cenário de Japão na sua era Edo, personagens usando espadas, demônios (ou Onis, se usarmos o termo original) e um protagonista com uma irmã mais nova demoníaca. Impossível não fazer qualquer correlação com Kimetsu no Yaiba (ou Demon Slayer), o que é justificável, considerando o tanto de dinheiro e sucesso que este último fez, e ainda faz, no Japão, mas as semelhanças ficam por aqui.


ATENÇÃO SPOILERS A FRENTE, SE NÃO TIVER ASSISTIDO A OBRA COMPLETA LEIA POR SUA CONTA E RISCO.


Kijin (como irei chamar a série por agora) é baseado em uma série de Novels já completas, a qual não tive acesso, também possui um mangá em andamento, o qual só tive contato após assistir o anime, o que foi ótimo, considerando o choque que o primeiro episódio duplo causa.


Em relação ao tamanho do primeiro episódio essa foi a melhor decisão, pois temos muitos acontecimentos que sozinhos podiam gerar vários episódios caso fosse interesse do autor, pois temos um pouco do treinamento de Jinta para se tornar um espadachim como seu pai adotivo, a morte do mesmo nas mãos de um demônio (o que infelizmente ocorre off-screen tanto em anime quanto no mangá), Shirayuki se torando a sacerdotisa da vila, aqui chamada de Itsukihime, sendo que anterior era sua mãe, a qual ela nunca teve muito contato, pois a sacerdotisa deve ficar isolada e cuidado de uma certa espada e que ainda veio a falecer no mesmo ataque que levou a vida do seu pai.


Após isso temos um salto temporal e Jinta já é um homem adulto capaz de derrotar demônios sozinho, sendo um dos dois guarda costas de Shirayuki, com a qual ainda possui um laço forte, em compensação sua irmã mais nova Suzune, não envelheceu um dia mantendo sua aparência infantil, sendo que ela é completamente apegada ao seu irmão mais velho e de uma forma bem estranha, mas não se importa dele ficar com Shirayuki.


O problema todo ocorre quando dois demônios poderosos chegam a vila, entre eles a uma com o poder de clarividência, que enxerga que, no futuro, o rei dos demônios irá descer ao mundo e ela enxerga esse demônio como Suzune, aproveitando uma oportunidade a demônio vai até Suzune e para fazê-la ir contra os humanos mostra que a amada de seu irmão, Shirayuki, na verdade estava de casamento arranjado com outro homem, flagrando-os ainda em seu momento íntimo, o que faz a garota enlouquecer, já que ela havia abrido mão do amor do seu irmão em favor de sua irmã adotiva.


Jinta em contrapartida acaba enfrentando outro demônio em uma batalha feroz que quase custa a vida de ambos, mas no fim o demônio acabar transformando Jinta em um demônio ele próprio e passando seus poderes a ele, alertando ainda do plano de sua parceira em transformar Suzune na rainha dos demônios, por mais que ele tente ele apenas consegue chegar no momento em que sua irmã decapita sua amada bem diante dos seus olhos, entrando em frenesi e a atacando, o que a faz fugir.


Após tudo isso Jinta deixa a vila levando a espada sagrada da vila, com a promessa de que voltaria 170 anos, para enfrentar sua irmã, logo depois outro time skip dessa vez com Jinta retornando ao local da antiga vila, só que nos tempos modernos encontrando a filha da atual Itsukihime no santuário Jinta, nomeado em homenagem a ele no dia da sua partida da vila.


Tudo isso, que vale o roteiro de uma temporada inteira ocorre somente nos primeiros episódios, que já mostra o quão forte ela inicia, a carga dramática é muito pesada e a direção acertou bem em fazer o início diferente do mangá, colocando o time skip para o presente somente ao final de toda essa sequência, não sei se as novels narram da mesma forma, mas o mangá já começa com a cena dele chegando ao santuário Jinta no presente, para somente então entrar nessa narrativa, que leva quase dez capítulos, então o episódio duplo e condensar tudo nos primeiros episódios, foi ótimo para manter toda a atenção.


Entretanto, para quem espera um anime frenético de muita ação movido como combustível a vingança do protagonista por sua irmã, pode acabar se decepcionando, já que logo após o início frenético o anime se move a uma fórmula mais baseada no "demônio da semana", com mini-arcos de dois ou no máximo três episódios que envolvem algum caso para Jinya (nome adotado pelo protagonista após deixar a vila Kadono) resolver.


Outro ponto de destaque que me surpreendeu foi a decisão do autor em manter a história no passado, mesmo com alguns vislumbres do tempo presente o anime se passa praticamente inteiro pouco tempo após os eventos que levaram Jinya a deixar a vila, com a introdução de vários personagens novos e suas interações com o protagonista, vemos novas passagens de tempo ao longo da temporada, mas nada tão drástico quanto no início, sendo passado apenas alguns meses conforme a história vai passando.


Os demônios aqui são diferentes do que vimos em Kimetsu no Yaiba, apesar de aqui também haver a possibilidade de um demônio transformar uma pessoa, como ocorreu com o protagonista, essa não é a única forma de nascimento deles, pois vemos que eles podem surgir a partir do acúmulo de sentimentos e apego de pessoas ou de ressentimentos e sentimentos fortes guardados em objetos e lugares. Além disso o conceito de demônio adotado aqui não é necessariamente maligno, ja que alguns dos demônios apresentados são inofensivos e mesmo amistosos e muitos deles tem histórias tão tristes como os de Demon Slayer, sendo que alguns arcos terminam como aquele gosto agridoce.


O elenco de personagens também é bem interessante como a doce Ofu e seu pai no restaurante favorito de Jinya, a jovem Natsu e seu empregado Zenji, o samurai certinho Naotsugu e a Meretriz (como ela mesmo se chama, a meretriz "Meretriz") e o misterioso Somegoro Akitsu, um elenco com o qual vai se desenvolvendo você vai ganhando um certo apego, o que a certo ponto me deixou pensativo, pois como já sabemos a jornada de Jinya se estenderá por 170 anos, então esses personagens, em algum momento, irão deixar a cena o que nos deixa apreensivos de que em momento isso irá ocorrer e, especialmente, como isso irá ocorrer, pois o anime deixa bem claro que ninguém está exatamente seguro e o final de temporada é de cortar o coração, tal como seu início.


A animação é muito bonita e em nenhum momento me incomodou, as lutas quando ocorrem são bem fluidas, os momentos dramáticos também não decepcionam com frames estranhos ou rostos deformados, o estúdio responsável foi o Yokohama Animation Laboratory, que não tem lá tantos animes em seu cartaz, mas sempre que me deparo com algum dos produzidos por ele, não costumo ficar decepcionado no quesito de animação.


A direção é eficaz, não é exatamente brilhante mas também não deixa a desejar em momento algum e, conforme dito anteriormente, acertou em muito ao trabalhar o momento da apresentação plot do time skip.


Em relação a trilha sonora, confesso que não sou  do tipo de pessoa que fica ouvindo as OSTs de anime ou reparando em que momento ou não determinada trilha entra ou como se encaixa em cena, sou do tipo que repara mais na trilha em momentos de ação/drama mais centrais e nos temas de abertura e encerramento e nesse ponto não me chamou a atenção seja de forma positiva ou negativa.


Quanto a possibilidade de recomendação esse é um ponto complicado, enquanto que eu pessoalmente gostei bastante da história temos alguns pontos a considerar, o primeiro deles é justamente o fato de que apesar de parecido em temas com Kimetsu esse não é um anime de ação, as lutas são mais um complemento e não um fator principal, os arcos tendem a focar mais nos personagens envolvidos o que pode tornar a experiência um pouco mais cansativa para quem não gosta de histórias cadenciadas, ainda mais quando se considera que cada arco leva em média de 2 a 3 episódios e o combate não dura mais do que 2 minutos, isso quando necessário.


Além disso o anime aborda temas pesados e imagens fortes, abusos físicos, mentais e até mesmo sexuais são presentes, então para quem é sensível a essas situações pode sentir um desconforto assistindo.


O protagonista também não é lá tão interessante, seja em design ou personalidade, seus melhores momentos só ocorrem em companhia de certos personagens como Ofu, mas não fosse o fato dele ser ridicularmente forte e sua condição única, não vejo porque os demais personagens se envolveriam com ele já que no quesito carisma ele fica devendo em muito.


Por fim, vale dizer que este anime não se encontra na Crunchyroll, Netflix, ou qualquer plataforma de streaming disponível no Brasil, de modo que foi lançado no ocidente na plataforma Hidive, logo não existe um meio oficial para assistí-lo o que leva aos meios alternativos. Em relação a isso o problema maior se encontra aí, caso resolva assistir por algum site de anime online *ahem "paralelo", você pode ter o azar de encontrar uma legenda bem ruim, daquela que a pessoa que juntou apenas jogou no tradutor e colou sem fazer qualquer tipo de revisão ou adaptação, então tenha cuidado de ver por meio de uma fansub através de seu próprio site ou por meio do download.


Concluindo, em uma temporada bem fraca Kijin Gentoushou se mostrou como uma surpresa bem agradável para mim, ainda que eu entenda que não é um anime recomendável a todos.





Avaliação





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Pros:
            - Série com tom maduro;
            - Personagens secundários bem desenvolvidos;
            - Animação não deixa a desejar;
            - Uma reviravolta inesperada logo nos primeiros episódios.

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Contras:
            - O ritmo mais lento com fórmula de "inimigo da semana" pode não agradar;
            - Protagonista pouco interessante e sem muito carisma;
        - A falta de um lançamento oficial no Brasil pode levar a encontrar episódios com legendas sofríveis.

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