Eu dropei Digimon Beatbreak....

 Eu sempre fui muito fã da franquia Digimon, desde os anos 2000 com a estreia do anime e a Angélica dançando de cosplay de Seu Madruga, digo de Sora. Alguma coisa na história e nos personagens me fascinava, lembro que com o fim do anime me deu aquela sensação de alegria e vazio, com a despedida daqueles personagens e do Digimundo.


Claro que depois vieram todas as sequências e continuações e meu vazio foi preenchido, por mais que algumas séries não faziam justiça aquele fascínio que senti a princípio quando assisti o primeiro Digimon Adventure, mas virou tradição para mim sempre assistir o anime, lembro ainda que foi com Digimon Savers (conhecido por alguns como Data Squad), que eu primeiro comecei a assistir no idioma original, passando a acompanhar junto ao lançamento japonês ao invês de esperar anos até chegar dublado no Brasil.


Até então houve apenas uma série que eu havia dropado de assistir que foi Digimon Xros Wars: The Young Hunters Who Leapt Through Time, a segunda parte do Xros Wars, que sim, a primeira parte eu gostei bastante, mas a troca do protagonista por um personagem genérico com carisma negativo que só serviu para roubar espaço do protagonsita anterior e péssimo design, uma história sem graça e forçada dentro de um universo já bem estabelecido e fechado e uma história arrastada tornou para mim a série impossível de assistir, fato que não foi salvo nem pela participação especial dos protagonistas das séries anteriores em uma épica batalha final.


Ainda assim isso não diminui meu apreço pela franquia, tanto que o tão polêmico Tri eu adorei. O quase spin off que mal utilizava o nome Digimon, que foi o appli monsters eu também gostei, o remake de adventure eu amei e o então último anime da franquia Ghost Game, foi excelente do início ao fim, com uma pegada completamente diferente mas ainda com a essência do que é Digimon.


E então chegamos ao atual, Digimon Beatbreak, eu já estava bem empolgado foi saiu próximo ao jogo Time Stranger, um dos melhores já produzidos e que, em meu humilde gosto, só fica atrás do primeiro Cyber Sleuth, então quando o anime finalmente estreou eu me dei de cara com... isso.


(É hora do duelo! Digo, de digivolver.)


A primeira vista um personagem de crocs com cabelo de duas cores não parece exatamente um protagonista de digimon, o que o anime faz questão de reafirmar ao longo dos primeiros episódios, pois Tomoro é o primeiro protagonista que realmente não queria ter um digimon, ao menos no início e passa um bom tempo em negação e funcionando quase que no "automático".


Não digo que foi algo ruim, apenas acho que foi muito arrastado, que para mim define bastante o que foram os mais de 20 episódios que vi, pois geralmente somos acostumados aos primeiros episódios já termos as primeiras digievoluções e um arco com um primeiro inimigo, o que não acontece aqui. O primeiro arco é totalmente voltado a construção de mundo e desenvolvimento do protagonista, novamente, não seria ruim se não fosse tão arrastado, os demais personagens não tem tantos episódios dedicados quanto o protagonista que é extremamente irritante e até mesmo um pouco mimado e nem o carisma do parceiro dele, o simpático Gekkomon, ajuda, pois no fim Tomoro acaba fazendo algum escândalo e culpando o mundo pelos problemas dele, de modo que somente após em um de seus chiliques quase causar a morte do Gekkomon isso trazer a mudança de chave do personagem, completando o primeiro arco com a primeira digievolução dele, o que acontece somente no episódio 12, enquanto que nas séries anteriores estavamos acostumados a esse acontecimento nos primeiros três episódios.


Mas apesar de tudo esse primeiro arco não foi problema para mim, apesar dos problemas de execução achei interessante e ousado a abordagem, então quando finalmente tivemos o grupo principal unido e estabelecido, senti que a série poderia começar a andar bem, o que infelizmente não ocorreu.


O segundo arco apresenta um grupo rival e antagônico aos protagonistas, chamado de Tactics, com três personagens com visões totalmente contrárias aos herois da história, seja Raito com sua busca em se firmar como um prodígio, mesmo não tendo talento natural como um digiescolhido, em face de Tomoro que, ao menos nesse aspecto tem um talento natural, o vazio Granit contra a muito vocal e ativa Reina,  a individualista Hotaruko contra o solidário Makoto e por fim o obcecado pela perfeição Naito, contra o protetor Kyo.


O grupo estava sobre o controle Klay, uma das cinco estrelas, que são basicamente os mais fortes mestres de Digimon, do qual Kyo já fez parte no passado, então ao longo do arco temos muitos confrontos entre os dois grupos e o seu embate de pontos de vista.


O problema é que o grupo Tactics não são apenas outro grupo caçando recompensas ou digimons selvagens, mas é mostrado que eles fazem missões de sequestro, assassinato e até mesmo tráfico humano e de digimons, em operações que incluiam o time sete, que é o grupo oposto ao protagonista.


A partir desse momento eu não consegui ver com qualquer tipo de simpatia esse grupo oposto, independente de seus motivos, e que sinceramente a própria série mostra que, com a excessão de Granit que tem desejos suici*, mas após vê-los levar um homem a ser submetido ao "cold heart" (que é dentro da série uma condição que deixa a pessoa em estado parecido com o coma e as vezes irreversível) e manter em cativeiro pessoas e digimons inocentes, até mesmo defendendo um leilão de tráfico humano e de digimons, simplesmente não tem como eu os observar com qualquer tipo de olhar que não seja que eles precisam se redimir de forma pesada ou ao menos pagarem pelos seus pecados.


Mas os protagonistas não enxergam dessa forma e de uma forma muito estranha os perdoam facilmente, tratando-os como se fossem meras vítimas do acaso, sendo que em muitos casos eles praticamente não mostravam remorso pelo que fizeram! Claro, Raito teve seu arco onde era humilhado pelo líder do esquadrão Naito e deixado para a morte ou cold heart, Granit também estava sendo usado para tal, mas no caso de Hotaruko não dá para passar o pano, não sei o que o anime tenta nos passar dela, mas apesar de uma ou outra hesitação ela é a culpada por tudo que ocorreu com ela própria, tudo o que ela passa são consequências de suas ações e omissões, até mesmo o personagem que mais tenta ajudá-la, o Makoto ela demonstra que despreza só por puro preconceito e vitimismo e no fim, mesmo com todos os crimes que ela cometeu os protagonistas a deixam ir embora só porque o Makoto, que é uma criança, tem um crush nela???


Sinceramente o final do episódio onde o grupo principal simplesmente se despede do time sete como se fosse apenas outro grupo aleatório me irritou muito. A série parece querer me tirar de idiota ao mostrar que pessoas que participaram e testemunharam diversas atrocidades e que provavelmente continuariam de bom grado se não fosse a intervenção dos protagonistas, na verdade não fizeram nada de grave e podem continuar por aí vivendo suas aventuras.


Digimon Beatbreak estava sendo um conjunto de altos e baixos, comigo já considerando uma das piores séries, estando muito abaixo de sua predecessora, Ghost Game, mas esse arco me tirou qualquer vontade de continuar a acompanhar essa história, não bastasse ser arrastado ele ainda trata os vilões como meras vítimas, como se fosse desculpa para fazer tudo o que fizeram e ainda deixar em aberto que continuem participando, para mim não dá.


Assim, com muito pesar (na verdade nem tanto assim), decidi parar por aqui e esperar pelo próximo anime, enquanto tento me desintoxicar jogando Time Stranger.




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